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O imediatismo da economia, da mídia e da política Compaixão ou Competição?
No final de 1999, cerca de 400 pessoas se reuniram em Amsterdã, no fórum Empreendimento e Desenvolvimento no Século XXI: Compaixão ou Competição. E o convidado de mais destaque foi o Dalai Lama, como sempre. O Fórum virou um excepcional livro (com o mesmo nome do Fórum), editado pela Palas Athena aqui no Brasil, principalmente nesta hora que se fala tanto de crise. Crise causada pelo que mesmo? Pela Compaixão, com certeza não foi. Aí vão alguns trechinhos do Fórum só para dar água na boca de vocês. Depois vocês compram o livro na Palas ou pedem para nós que nós damos um jeito e entregamos para vocês (Jornalternativo, 11-3063.1115 e j.alternativo@uol.com.br).
"Para mim, a indicação de que algo está realmente errado no mundo de hoje é o fato de que se os Estados Unidos espirram, o mundo todo pega uma gripe." (Dalai Lama)
"Mahatma Gandhi observou que nada na história foi tão nocivo ao intelecto humano quanto a aceitação das doutrinas econômicas comuns como se fossem uma ciência. Um pequeno grupo de economistas - Bárbara Ward, Kenneth Boulding, E. F. Schumacher, Gunnar Myrdak - sempre enfatizou, acompanhado por teólogos de muitas religiões, que a Economia não é uma ciência. O próprio Comitê do Prêmio Nobel reconhece que o seu prêmio de economia foi criado pelo Banco Central da Suécia." (Hazel Henderson)
"Apesar da explosão de revistas e manuais sobre como viver, das novas indústrias das terapias, aconselhamento e informação sobre relacionamentos, é difícil encontrar sinais de progresso na nossa compreensão do que constitui o bem-viver. As idéias de filósofos e profetas de mais de 2 mil anos atrás - Buda, Jesus, Confúcio, Lao-Tsé - surpreendentemente ainda não foram consideradas obsoletas... enquanto as idéias de seus contemporâneos sobre física, medicina ou astronomia hoje são apenas curiosidades." (Geoff Mulgan)
"Nos últimos anos tenho visto um número cada vez maior de estudantes que não estão satisfeitos em serem médicos de ponta, inventando e aplicando novas tecnologias. Já tivemos essa experiência antes com aqueles cientistas que nos trouxeram as armas nucleares. A solução? Talvez voltar ao tempo de Hipócrates, quando a Grécia vivia um grande progresso no que os médicos podiam conseguir e as pessoas começaram a se assustar com o poder desses médicos. E aí foi criado o juramente de Hipócrates. Acho que hoje precisamos criar um juramento similar para aqueles que estão produzindo ciência e tecnologia. (Michel Serrer, da Academia Francesa de Medicina) - (Observação minha: os médicos ainda fazem o juramento de Hipócrates, não fazem? E todos seguem?
Triângulo das Bermudas dos valores
Primeiro: "Economização da vida. Hoje, tudo é dinheiro e economia. A identidade humana é medida em termos de dinheiro, sua renda, seu nível de consumo. Segundo: Midiatização da vida. A mídia tem hoje um enorme poder e tem mentalidade tão imediatista como a economia. Tudo é notícia para chocar. Então, chegamos em casa e perguntamos: O que aconteceu hoje? Se nada aconteceu, não conseguimos relaxar. A mídia sabe disso e adapta as notícias a esse fato. Terceiro: Política a curto prazo. Política só pode ser feita, em termos efetivos, a longo prazo, com os estadistas assim pensando. Mas eles têm que se dar bem com a mídia e com a economia, então também são imediatistas. Ora, precisamos organizar algo para contrabalançar essa situação e isso só pode vir com um estilo de vida diferente e com valores espirituais. É necessário imaginar um mundo diferente e torná-lo real." (Ruud Lubbers) Serviço: Para mais informações sobre os cursos e os livros da Palas Athena, você pode ligar para 11-3266.6188 ou acessar www.palasathena.org.br. E eu garanto para vocês que todos os cursos e todos os livros são ótimos.
APOIADO
Médicos desancam planos de saúde. Com toda a razão
Mas...
presentes’ recebidos dos laboratórios já incomodam, e muito, os Conselhos de Medicina.
Você sabia que o seu plano de saúde pode estar pagando apenas R$ 25,00 pela sua consulta no ginecologista? E no caso de parto, o obstetra recebe R$ 200,00 apenas? Seja parto normal ou cesariana?
Essas são as informações que uma campanha dos ginecologistas e obstetras de São Paulo está nos passando. Parece brincadeira mas é verdade. E tem coisas piores: existem clínicas que têm todos os convênios e então chamam médicos para atender seus clientes e chegam a pagar R$ 6,00 por uma consulta. Conheci uma médica que trabalhava assim um dia por semana e chegava a atender 50 a 60 pacientes por dia, para salvar o seu dia!
Uma curiosidade: o cinegrafista que filma alguns partos ganha, em média, R$ 450,00 por isso, ou seja, mais do que o dobro do médico e sem nenhum responsabilidade.
Será que alguma coisa está errada? O que você acha?
E o convênio só paga uma consulta por mês. Como no último mês de gravidez, a mulher precisa de consultas semanais, o que acontece? O convênio diz para o médico: O problema é seu!
Isso explica talvez porque há tantos partos por cesariana para as mulheres que usam seguro saúde. E o diretor de uma importante maternidade declara que outra razão para tantas cesarianas (mais de 80% nos atendimentos por convênio, quando a orientação da Organização Mundial da Saúde indica um máximo de 15%) é que muitos médicos não sabem fazer parto normal!!! E, claro, que nesses casos os médicos não têm um pingo de razão.
Outra maluquice, resultado de pesquisa do Conselho Regional de Medicina de São Paulo: cerca de 80% dos médicos recebem visita de propagandistas dos laboratórios farmacêuticos, e 48% deles receitam os remédios que as fábricas indicam. Pode uma coisa dessas? E a mesma pesquisa mostra que 93% dos médicos receberam no último ano algum tipo de benefício ou pagamento de até R% 500,00 de empresas de remédios. E ainda tem mais: 37% recebem ‘prêmios’ muito maiores, como viagens internacionais!!!
E mais: Para o Cremesp, um terço dos médicos mantém uma "relação contaminada com a indústria farmacêutica e de equipamentos, que ultrapassa os limites éticos". "Para boa parte [dos médicos], a única forma de atualização é a propaganda de laboratório. E com ela vem os presentes, os brindes. Isso tomou uma dimensão maior, mais promíscua, quando as receitas passaram a ser monitoradas", diz Luiz Alberto Bacheschi, presidente do Cremesp. Sabe por quê? em troca de brindes ou dinheiro, farmácias e drogarias brasileiras auxiliavam a indústria de remédios a vigiar as receitas prescritas por médicos. Com acesso a cópias do receituário, representantes dos laboratórios pressionavam os profissionais a indicar seus produtos e os recompensavam por isso. A prática não é ilegal, mas é considerada antiética. Afinal, quem pode pagar essa conta é o paciente. "Na troca de favores, o médico pode receitar um medicamento que tenha a mesma eficácia clínica do que o concorrente, mas que custa mais caro", explica o cardiologista Bráulio Luna Filho, coordenador da pesquisa do Cremesp.
Na área de equipamentos médico-hospitalares, a eficácia da visita é ainda maior: 71% dos profissionais da saúde acatam a recomendação da indústria.
A maioria dos médicos (62%) avalia de forma positiva a relação com a indústria. Para 73% deles, os congressos científicos não se viabilizariam sem apoio da indústria de medicamentos e de equipamentos. Luna Filho pondera que, com a internet, o acesso a informações médicas está universalizado. "Essa conversa de que médico tem que ir para congresso no exterior para se atualizar é balela. Ele vai é para fazer turismo." Existem várias normas -inclusive um artigo no novo Código de Ética Médica, uma resolução da Anvisa e um "código de condutas" da associação das indústrias- que tentam evitar o conflito de interesses na relação entre médicos e laboratórios. "O problema é que não existe um controle rigoroso de nenhuma das partes", diz Volnei Garrafa, professor de bioética da UnB.
O processo de sedução da indústria de medicamentos e de equipamentos já começa nos bancos das escolas médicas. Na pesquisa do Cremesp, 74% dos médicos declararam ter presenciado ou recebido benefícios durante os seis anos de curso. Outros 58% receberam a visita de representantes da indústria no hospital-escola. Um percentual menor (13%) teve financiamento para participar de eventos científico, cultural ou esportivo. "Os brindes, os patrocínios já começam na graduação. Quando formado, o médico continua achando a relação natural", diz Bráulio Luna Filho, do Cremesp. Em Harvard, estudantes têm criticado professores que recebem presentes ou dinheiro da indústria farmacêutica (fazendo pesquisa ou dando cursos ou palestras). A questão é: até que ponto há isenção no que eles estão ensinando aos alunos? Segundo Marcos Boulos, diretor da Faculdade de Medicina da USP, alguns setores do Hospital das Clínicas- como o de infectologia- já restringem o acesso dos representantes da indústria, embora outros ainda dependam das amostras grátis. Mas ainda não há políticas de restrição em relação aos estudantes. Na sua opinião, só é justificável um professor da USP ter atividades financiadas pela indústria se ele estiver envolvido em alguma pesquisa clínica dentro da universidade.
Atrite-se...
Roberto Crema Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros. Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro. Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz? As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas. Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato. Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa. Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado. Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas Faz parte... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência. Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos. Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores... Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor. Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor... Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor. Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar... Mas temos que aprender como. Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar. Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...os superando. Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento... E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE!
Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.
Serviço: Na conclusão do seu livro sobre Philon e os Terapeutas de Alexandria Cuidar do Ser, Jean-Yves Leloup diz: Ao lado da ordem dos médicos falta criar a ordem dos terapeutas. Lembraria as exigências de uma abordagem multidimensional do ser humano e favoreceria uma prática menos fragmentada, quer dizer, menos sectária, da medicina, da psicologia e da espiritualidade. Não se pode esperar um mundo melhor sem uma revisão dos pressupostos antropológicos de nossos métodos de cuidar. Um mundo melhor exige uma melhor antropologia.
O Colégio Internacional dos Terapeutas foi fundado no dia 8 de setembro de 1992, na UNIPAZ-DF. O CIT-Brasil faz parte da REDE UNIPAZ, como organismo complementar, e estende-se pelas diferentes unidades nacionais e internacionais da UNIPAZ.
Leia um dos 10 princípios que o CIT gostaria que todos os terapeutas seguissem: Ética da benção e do respeito à inteireza, jamais reduzindo o ser humano a um rótulo, e também cuidando, nele, daquilo que não é doente, a partir do qual uma dinâmica de cura é ativada; Roberto Crema é Reitor da UNIPAZ e Coordenador do CIT-Brasil . Veja o site www.unipazsp.org.br e leia mais sobre o Colégio Internacional dos Terapeutas.
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