Conheça a história de três pessoas que fazem um trabalho maravilhoso de ajuda à outras pessoas. Detalhe: São deficientes visuais.

Conheci o Antônio Luís Colange uns 14 anos atrás, quando ele fez um curso de Cura Prânica comigo. Ele tinha ficado cego 3 anos antes, mas era muito bem disposto, bem-humorado, astral lá em cima. No fim do primeiro dia do curso, ele disse que ia pegar o ônibus na Teodoro, eu ia para o mesmo lado, então disse que o acompanharia. Ok, ele respondeu, então você me ajuda no caminho. Então, segurei no braço dele e comecei a andar. Poucos passos adiante, ele me diz: Roberto, o cego sou eu, não você. Se você segura no meu braço, quem está guiando sou eu, não você. E deu uma boa risada (e eu também).

Estive com ele poucas vezes nesses 14 anos, inclusive recebi uma ótima massagem dele, e sempre me surpreendeu o seu alto astral e bom-humor.  Semanas atrás estive com ele novamente, e estava até bem curioso em conhecer sua mulher (ele tinha dito pelo telefone que tinha casado de novo).

Bom, o homem continua num ótimo astral e fazendo um ótimo trabalho. “Olha, Roberto, quando você veio aqui a primeira vez, eu não falei nada, mas chovia mais dentro da minha sala do que na rua. E a casa toda estava cheia de problemas. Consertei tudo com as minhas massagens, e com elas também paguei as faculdades das duas filhas e vivi bem razoavelmente todos esses anos. Vou me queixar de quê?

“Hoje, temos vários cursos para deficientes visuais e também para pessoas sem maiores deficiências, sempre bem procurados e bem considerados. Melhor ainda, já conseguimos colocar mais de 200 deficientes visuais para trabalhar em diversas empresas como massagistas. E temos vários novos pedidos de empresas e não temos alunos formados, ainda, para atender essa demanda.

“E com tanta gente estressada, o uso excessivo do computador e tanta tensão no trabalho, o mercado está ótimo para os massagistas, principalmente para trabalharem em empresas fazendo massagens nos funcionários. Tem um empresa que já contratou uns 30 alunos nossos, e várias outras têm 5 e até mais…

Nada de autocomiseração

“Nas primeiras aulas do curso, continua Antônio Luis, eu enfatizo muito para os deficientes visuais que não quero ninguém se achando ‘coitadinho’, com a autoestima lá embaixo. Claro que eu entendo o problema, eu também sou deficiente visual, mas autocomiseração só prejudica a pessoa. Porque para atender outra pessoa e fazer bem a ela, nós temos que, primeiro, estar de bem com a gente mesmo. Faça o bem a você todos os dias, seja você deficiente ou não, e logo você terá condições de fazer o bem para outras pessoas.

“Também não aceito que os cegos digam que têm os outros sentidos mais desenvolvidos e por isso fazem massagem melhor do que quem enxerga. Podem até ter os outros sentidos mais desenvolvidos mas para fazer uma boa massagem é preciso prestar muita atenção às aulas, estudar e praticar muito.”

Agora começo a conversar com a Míriam, que foi aluna do Antônio Luís, conversa vai, conversa vem, começaram a namorar e se casaram.

Bom, gente, a Míriam é tão alto astral quanto o Luís e olha que ela tem problemas visuais seriíssimos de nascença.

“Desde criança eu enxergava muito mal e para fazer o curso primário, por exemplo, eu contei com a ajuda de uma colega de classe. Ela escrevia no seu caderno o que a professora escrevia no quadro-negro, numa letra bem grande, para que eu conseguisse ler na luz do sol e assim estudar as lições (eta pequeno gesto de bondade dessa amiguinha da Míriam, hein?)

“Nascida em Garanhuns, interior de Pernambuco, ninguém sabia o que eu tinha nos olhos. E todo mundo dizia: Quando você for para São Paulo você vai ficar curada. Essa frase bateu na minha cabeça anos a fio, e acabei vindo para São Paulo meio improvisando um casamento com um moço que disse que me traria para cá.

“Cheguei aqui num dia, anos atrás, e no dia seguinte já estava na Santa Casa buscando a minha ‘cura’. E o diagnóstico foi terrível: tenho retinose pigmentar, doença sem cura e que mais dia menos dia ficarei totalmente cega (eu, o redator, sempre achei São Paulo muito mais ilusão do que desenvolvimento de fato, em quase todas as áreas).

“Trabalhei bastante, fiz muitos cursos e quando procurava emprego em empresas que ‘ajudavam’ deficientes ouvi respostas mais do que contraditórias: você tem o perfil de nossa empresa, mas você não é completamente cega, então não podemos contratá-la. Ou então: gostei muito de sua entrevista mas seu problema visual é muito sério, nós só contratamos quem tem problemas menores.

“Depois da irritação inicial, essas observações estranhas me deram forças para continuar minha busca. Fiz vários cursos na área de terapias alternativas, até que vim parar aqui no Mãos que Vêem, e casei com o Luís. Depois disso fiz outras cursos, acupuntura e outros e estamos aqui atendendo as pessoas e ajudando o Luís no seu trabalho (e ajudando muito pelo que eu vi).

“E agora eu entendo o que as pessoas queriam dizer com aquela ‘famosa’ frase ‘quando você for para São Paulo você vai ficar curada’. Porque hoje eu me sinto completamente curada, não da visão, mas de mim toda, de mim como uma pessoa inteira.”

Belíssima conclusão, vocês não acham? E agora, sempre que eu começo a reclamar da vida, de uma bobagenzinha qualquer, uma vozinha diz na minha cabeça: “Cala a boca, Roberto, pensa no Antônio Luís e na Míriam e pára de reclamar desses teus probleminhas.’ Gente, vocês podem praticar porque funciona muito bem (eu já fazia antes, me inspirando no exemplo do Rodrigo Mendes, que ficou tetraplégico aos 18 anos e depois disso fez Faculdade, foi professor de Faculdades, executivo de sucesso e agora tem um instituto para ajudar outros deficientes físicos. Vejam o site http://www.institutorodrigomendes.org.br/

E se vocês quiserem ajudar o trabalho do Antônio Luís e da Míriam façam massagens ou curso com eles (que são muito bons).

Serviço: Para conhecer mais sobre o trabalho dessa dupla fantástica veja o site www.maosqueveem.org.br


* digite o que você vê na imagem acima.
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