Norte e Sul.

Oriente e Ocidente.
O Leste e o Oeste.
O meio.
O centro de cada um.
Um planeta.
A geografia física. A geografia social. A geografia política. A geografia mundial.

Num mundo globalizado, sem fronteiras virtuais, culturas se misturam, conhecimentos são trocados e adquiridos, pensamentos assimilados, intenções são demonstradas, intimidades compartilhadas, afetos, sensações, novidades, anseios, curiosidades, negócios, parece que o mundo ficou menor…

Mais coisas a saber, a discutir, a debater, a conhecer, a desdobrar, a certificar, a completar, a complementar, a investigar, pesquisar, sondar, verificar, descobrir.

O mundo ficou maior.

Ou o mundo ficou menor?

A proximidade dessas fronteiras sem fronteiras parece ter deixado o homem com muito mais opções de escolhas em sua vida do que anteriormente.

O código de ética (Yamas) e os princípios de auto-controle (Nyamas) representam diretrizes básicas para qualquer ser humano que opte em ter uma vida saudável física e mentalmente.

Concordamos que a grande maioria do Ocidente conhece o Yoga através, primeiramente, dos Ásanas, e daí, só depois, e se houver identificação, esta grande maioria terá acesso (ou buscará) à filosofia não-física.

E, como não há mais como separar Yoga da realidade, em pleno século 21, pois nos encontramos diante de um panorama mundial de crises nos mais diversos setores, de um quadro social injusto e inseridos numa guerra disfarçada por poderes de âmbito mundial. Ainda, todos nós estamos sim inseridos num sistema que sustentamos e que não nos sustenta, inseridos nesta disputa ilusória de acúmulo de capital por mero acúmulo, inseridos numa sociedade que se consome e não compreende a razão do próprio consumo, inseridos numa espécie de produção social da loucura e da alienação onde nos comemos por partes, inseridos, enfim, exatamente onde estamos.

E por mais paradoxal que pareça, nosso desenvolvimento está desafiando justamente a continuação da nossa própria sobrevivência, principalmente pela exploração sem freios dos recursos naturais.

Concordamos também que atrás desta crise mundial está a crise psicológica interna de cada um de nós. Estamos longe de nosso centro, nossos sentidos voltados para o mundo externo quando toda nossa criação partiu do pensamento humano, e é para o próprio pensamento humano que deveríamos voltar para encontrarmos a raiz de tantos problemas.

Nos afastamos da natural forma humana, nos afastamos da natureza e portanto achamos que o direito à vida prevaleça apenas para aqueles que compartilham do nosso pensamento. Por isso, usamos e abusamos da natureza e de toda forma de vida que não condiz com a nossa, e apesar do desenvolvimento do pensamento lógico ainda praticamos o preconceito, julgamos quase que o tempo todo, agimos sem respeito algum com a Terra, a mata, os animais e os próprios irmãos que vivem de forma diferente da nossa.

Estamos distantes do nosso centro. Longe de nós mesmos.

Yamas e Nyamas encurta esta distância. Traz-nos de volta ao centro. Ao nosso centro.

Princípios que norteiam, passo a passo, os ensinamentos que nos possibilitam experimentar, ainda nesta vida, a possibilidade de sermos pessoas melhores e mais éticas.

Não há como praticar Yoga se não estivermos conectados em Yamas e Nyamas.

Não há como viver de forma sincera consigo mesmo se Yamas e Nyamas não estiver ali, norteando nossas ações, mas não como agentes presentes apontando a direção, mas como ensinamentos assimilados e escritos dentro da alma, ou melhor, do coração.

Ainda que a moral seja alterada conforme a cultura de um povo, os Yamas e Nyamas ultrapassam linguagens, costumes, culturas, pois refletem diretrizes Universais.

A escolha é livre.

A partir do conhecimento e da investigação individual o ser pode, enfim, abrir-se para dentro de si mesmo, numa viagem rumo ao equilíbrio e ao conhecimento da Verdade.

De volta ao seu centro.

Todos nós.

Nota: Yamas e Nyamas fazem parte do Asthanga Yoga de Patanjali, sábio que codificou o Yoga. Segundo Patanjali, “esses grandes votos são universais e não estão limitados por casta, lugar, tempo nem circunstância”. (ys II, 31).

 

 YAMAS: OS 5 PRINCÍPIOS ÉTICOS

AHIMSA: Não violência – “Quando o yoga vivencia a não agressão, a hostilidade desaparece em sua presença” – Yoga Sutra II, 35.

SATYA: Compromisso com a verdade – “Quando se faz uso estrito da verdade, as ações e seus resultados tornam-se subservientes” (ys II, 36).

ASTEYA: não roubar ou honestidade – “Quando se observa o não-roubar, toda a riqueza é atraída”. (ys II, 37).

BRAHMACHARYA: não dissipar a sexualidade (castidade) – “Quando se observa a castidade, obtêm-se uma grande vitalidade” (ys II, 38).

APARIGRAHA: não possessividade – “Quando se observa a não-ganância, obtêm-se uma completa iluminação do como e porquê do seu nascimento” (ys II, 39).

 

NIYAMAS: OS 5 PRINCÍPIOS DE AUTOCONTROLE

SAUCHA: Pureza, limpeza – Com a purificação, advém a clareza mental, o poder de concentração, o controle dos sentidos e a aptidão para perceber a Si Mesmo” (ys II, 41).

SAMTOSHA: contentamento – “A observância da alegria constante conduz à suprema felicidade” (ys II, 42).

TAPAS: auto-superação, esforço sobre si mesmo – “A auto-superação produz a destruição das impurezas, o que conduz ao aperfeiçoamento do corpo e dos sentidos e ao desenvolvimento de poderes (siddhis)” (ys II, 43).

SVÁDHYÁYA: auto-estudo – “O auto-estudo predispõe ao contato com a divindade de sua preferência (ishta-devata)” (ys II, 44).

ISHIVARA-PRANIDHÁNA: entrega ao senhor – “Pela auto-entrega advém a expansão da consciência (Samadhi)” (ys II, 45).


* digite o que você vê na imagem acima.
  • Newsletter

  • Yoga para Olhos

  • Consciência Próspera

  • Recentes

  • Páginas

  • Categorias

  • Jornal Alternativo

    CONTATOS:
    (11) 3063-1115
    jornalternativo@jornalternativonline.com.br